Saiba tudo sobre as cervejas mais alcoólicas do mundo – as Eisbock

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Por Rodolfo Bosqueiro
@umami.sommelieria (www.facebook.com/umami.sommelieria)

 

Como já falamos por aqui, o inverno é a época ideal para degustar cervejas mais alcoólicas. Especificamente neste post, iremos explorar o estilo Eisbock, as cervejas mais alcoólicas do mundo.

Elas são derivadas das já famosas cervejas de inverno alemãs – as Bocks – que são produzidas desde os anos 1300, ganhando diferentes nuances com o passar dos anos: Heller Bock (ou Maibock), Doppelbock e àquela que será nosso foco hoje, Eisbock.

Segundo conta a lenda, este estilo foi descoberto totalmente por acidente, na década de 1890, na cidade de Kulmbach, na Alemanha. Mais precisamente, na cervejaria Reichelbräu.

O mestre cervejeiro havia pedido a um jovem ajudante para levar alguns barris de cerveja Bock prontas a adega da cervejaria. Porém, este, cansado de um longo dia de trabalho, rolou-os para fora e imaginou que poderia terminar o trabalho na manhã seguinte.

Aquela noite acabou sendo uma rigorosa madrugada fria de inverno alemão, e quando os cervejeiros voltaram à cervejaria na manhã seguinte, ficaram horrorizados ao descobrir que os barris congelaram e explodiram.

Mas no centro desses barris congelados havia ficado um líquido marrom, semelhante a um xarope.

O mestre cervejeiro, como forma de punição ao jovem trabalhador, ordenou que ele terminasse de abrir os barris congelados e que bebesse esse  líquido marrom (supostamente) horrível.

Para a surpresa e o deleite do jovem, o líquido acabou por ser incrivelmente delicioso, doce e alcoólico e logo todos os trabalhadores estavam compartilhando da sua “punição”.

Diz a lenda que, desde então, os cervejeiros de Kulmbach deixavam alguns barris de Doppelbock para congelar durante a noite para coletar o doce néctar no dia seguinte. E assim nascia a Eisbock (pronunciada “ice-bock”), que na tradução literal, seria a “Bock de gelo”.

Se a história é verdadeira, ninguém pôde realmente afirmar, mas ela foi aceita no meio cervejeiro e tem sido repassada desde então.

O que de fato acontece na produção de uma Eisbock – que hoje certamente não é deixada para fora das cervejarias para congelar naturalmente no tempo – é que, com esse congelamento, a água cristaliza, separando os sólidos do álcool (que tem um ponto de congelamento menor).

E então, essa rica essência concentrada e não congelada da Bock é drenada, resultando em uma cerveja doce, com um delicioso aquecimento alcoólico e uma complexidade muito mais suave, profunda e rica de sabores do malte.

A coloração típica de uma Eisbock pode variar de um vermelho escuro a quase preto. No paladar, você pode encontrar notas de figos ou frutas secas e escuras, café torrado ou chocolate e até xarope de bordo (maple syrup).

Um dos exemplares mais populares do mundo – que você encontra em nossa loja virtual – é a premiada Schneider Weisse Aventinus Eisbock , uma versão de trigo do estilo, com teor alcoólico de 12% ABV.

Outra representante do estilo, que é bastante lendária entre os cervejeiros do mundo todo, é a Utopias, da cervejaria americana Samuel Adams. Com incríveis 28% ABV de teor alcoólico, suas exóticas garrafas de 750ml chegam a custar mais de U$200.00 no mercado.

De acordo com o guia oficial de estilos do Brewers Association, a Eisbock deve ter teor alcoólico entre 8,6% e 14,3% ABV. No entanto, essa técnica de congelamento é usada para produção de cervejas até com mais de 60% ABV. Mas este é um assunto para o próximo post.

 

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