Conheça a Pastry Stout – o estilo de cerveja inspirado nas sobremesas

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Stout
Tasting of beer and pattie chocolate pastries.

Por Rodolfo Bosqueiro
@umami.sommelieria

O mercado cervejeiro é bem dinâmico e repleto de consumidores sedentos por novidades. A nível Brasil, pudemos notar um grande aumento no número de Pastry Stouts nacionais e internacionais nos pontos de venda.

Mas você conhece as Pastry Stouts? Fique tranquilo, que a gente te conta tudo sobre elas.

A Pastry Stout é uma cerveja escura, podendo ter como base uma Stout (óbvio) ou mais frequentemente, uma Imperial Stout, com adições de ingredientes que geralmente são usados no preparo de sobremesas.

O próprio nome já entrega a inspiração por trás do estilo. A palavra inglesa “Pastry” remete a “doces”, “confeitaria”. Essas cervejas lembram verdadeiras sobremesas líquidas.

São adocicadas, aveludadas (e até oleosas), encorpadas e ricas em adjuntos, como nibs de cacau, coco, baunilha, canela, castanhas, café, frutas, lactose, especiarias, etc.

Produzir cervejas com esses adjuntos não é lá uma grande novidade, muito menos uma inovação. Mas a Pastry Stout ou as “dessert-beers” (cervejas-sobremesas) são pensadas para realmente trazerem o paladar o mais próximo possível de uma sobremesa.

E a quantidade de cervejas com essas características que surgiram no último ano é realmente impressionante.

A Hocus Pocus, do Rio de Janeiro, lançou dois rótulos de respeito, que seguem o caminho das Pastry Stouts: a Rabbit Hole, que foi eleita a melhor cerveja do Mondial de La Biére 2017, com adição de cacau, aveia, coco, coco queimado, lactose e nozes negras. E a Waking Life, que leva adição de cacau e aveia.

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Foto: Facebook Cervejaria Hocus Pocus

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A Tupiniquim é outra cervejaria que tem explorado bastante essa inclinação pelas dessert-beers e lançou diversos rótulos com essas características no último ano:

A Manjar Negro, com adição de coco; a Avelã Frapê , com café, avelã e baunilha; a Monjolo Floresta Negra, com framboesa, cacau e baunilha; a Manjar dos Deuses e a Coconut Super Porter, ambas com coco queimado; e a Pecan Imperial Stout, maturada com noz pecan.

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Foto: Cervejaria Tupiniquim

Aliás, fazendo uma análise mais ampla do cenário cervejeiro, vê-se que a tendência tem deixado de ser a explosão de amargor das IPAs e Imperial IPAs, que por muito tempo dominaram o paladar dos Hopheads de plantão.

Até mesmo as IPAs ficaram menos amargas e mais frutadas, como vimos no outro texto do Blog sobre a ascensão da New England IPA.

Seguindo essas tendências, também temos notado uma grande proliferação das chamadas “Milkshake IPAs”, que levam adição de lactose, aveia e, em alguns casos, frutas.

Encorpadas e também aveludadas, essas cervejas têm o objetivo (óbvio novamente) de se assemelharem a uma sobremesa específica: o milk-shake.

Não dá para cravar se esses tipos de cerveja vão ficar pelo mercado por muito tempo, ou se é uma onda passageira.

Nem Pastry Stout e nem Milkshake IPA são reconhecidas pelo guia oficial de estilos do Brewers Association, como recentemente aconteceu com a New England IPA.

Mas tantas cervejarias têm produzido esse estilo, que não seria nada surpreendente se elas entrasse para essa lista oficial em um futuro próximo. Até lá, vamos aproveitar os lançamentos enquanto eles ainda estão por aqui.

 

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